As estradas da província de Inhambane continuam a registar números devastadores de vítimas mortais, colocando a região num cenário de autêntica crise rodoviária.
Só este ano, mais de 60 pessoas perderam a vida em acidentes de viação, número que a Polícia da República de Moçambique (PRM) classifica como “inaceitável” e resultado directo de comportamentos negligentes e perigosos.
Segundo dados oficiais, os acidentes de viação já representam a terceira maior causa de morte em Inhambane, logo atrás dos suicídios e homicídios — uma estatística que evidencia a gravidade da situação.
Fiscalização expõe irregularidades graves
No Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, ao longo da EN1, uma operação rotineira bastou para revelar um conjunto de práticas ilegais que colocam vidas em risco. Entre as irregularidades estão condutores com documentação inadequada, transporte irregular de passageiros e manobras proibidas.
Um dos casos mais graves envolveu um motorista a transportar passageiros com uma carta de condução incompatível para este tipo de serviço.
“Por lei, isto é proibido”, alertou um agente durante a operação, reforçando a obrigatoriedade da carta de transporte público.
PRM: “Inhambane não está bem”
A comandante provincial da PRM, Joana Milisse, esteve no terreno e apresentou estatísticas que reforçam o cenário preocupante:
- 61 acidentes registados
- 63 mortes confirmadas
- Vários feridos graves e ligeiros
- Danos materiais avultados
- Excesso de velocidade continua como principal causa
“A nossa província não está bem”, afirmou Milisse, lamentando que a maioria dos sinistros resulte da falta de respeito pelas regras básicas de trânsito.
Distritos mais críticos
Zavala, Massinga e Maxixe — todos ao longo da EN1 — continuam a liderar o número de mortes por acidentes, consolidando-se como zonas de maior risco rodoviário na província.
Corrupção, imprudência e negligência alimentam tragédias
Para além do excesso de velocidade, os acidentes decorrem de:
- Ultrapassagens perigosas
- Condução sob efeito de álcool
- Falhas mecânicas ignoradas
- Transportes sobrelotados
- Peões a atravessar sem atenção
A PRM identifica ainda a corrupção como um dos factores que alimentam o desrespeito às leis de trânsito, permitindo que condutores infractores escapem às penalizações.
Apelo urgente à comunidade
Milisse reforça que a prevenção começa no comportamento individual e apela à população para denunciar irregularidades:
“Quem cometer irregularidades será responsabilizado. Precisamos da colaboração da comunidade para salvar vidas.”
Um problema que ameaça vidas e o desenvolvimento
Num momento em que o país procura dinamizar o turismo e reforçar corredores de mobilidade, a elevada sinistralidade rodoviária coloca Inhambane sob pressão.
A PRM garante que continuará a intensificar fiscalizações e a trabalhar para reduzir este cenário trágico.

