O distrito de Memba, em Nampula, vive os primeiros sinais de estabilização depois de vários dias marcados por ataques armados, que deixaram um rasto de medo, destruição e deslocações massivas.
A informação foi confirmada pelo governador provincial, Eduardo Abdula, que descreve o actual cenário como uma “certa acalmia”, resultado da intervenção das Forças de Defesa e Segurança (FDS).
Segundo o governante, as FDS conseguiram dispersar os grupos insurgentes que actuavam na região, tendo vários sido abatidos durante os confrontos, enquanto outros fugiram em direcção à província de Cabo Delgado.
“Já se sente uma certa acalmia em Memba. Os terroristas já saíram em demandada, dada a perseguição. Alguns ficaram por terra, mas outros regressaram para Cabo Delgado. Lamento… não era este o desejo, mas fizeram mal às pessoas. Quem com ferro mata, com ferro morre”, afirmou Abdula.
Crise humanitária atinge níveis preocupantes
Apesar da melhoria do ambiente de segurança, a situação humanitária continua crítica. O número de deslocados aproxima-se dos 80 mil, dos quais entre 45 e 50 mil são crianças, revelando a dimensão dramática da tragédia humana provocada pelos ataques.
“Estamos com um número aproximado de 80 mil. Deve estar nos 78 mil, contando também com aqueles que não conseguimos controlar e que estão espalhar-se por outros locais”, explicou o governador.
Vigilância reforçada para evitar infiltrações
Abdula apela à vigilância das comunidades, alertando que pessoas mal-intencionadas podem aproveitar-se da movimentação de deslocados para se infiltrar nas zonas seguras.
“Tendo deslocados, pode haver oportunistas. Temos de proteger quem mais precisa.”
Governo promete manter presença no terreno
As autoridades provinciais garantem que continuarão a monitorar a situação de perto, reforçando a segurança, a presença institucional e a assistência às famílias que perderam tudo e tentam agora reorganizar as suas vidas.
Enquanto Memba tenta recuperar, o desafio permanece enorme: garantir segurança, apoiar milhares de deslocados e evitar que o terror volte a crescer numa região já profundamente marcada pela violência.

